O seguro de vida no Brasil ultrapassou o de automóveis neste ano em termos de subscrição pela primeira vez. A diretora de resseguros de vida do IRB-Brasil Re, Alessandra Martins Monteira, usou o dado para ressaltar o crescimento desse mercado e das oportunidades para o setor de resseguros durante encontro com investidores promovido pela Associação dos Analisas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) em São Paulo.

Conforme o presidente da companhia, José Carlos Cardoso, o segmento saltou em alguns anos de menos de 3% do portfólio da empresa para 16% atualmente.

De acordo com Alessandra, a expansão internacional tem sido um dos principais fatores do crescimento da área dentro do IRB. A executiva destacou o avanço no mercado da América Latina. “Encontramos na maioria dos países as seguradoras se considerando muito mal atendidas por resseguradoras europeias e viram no IRB uma similaridade de cultura”, disse.

Segundo ela, todos os produtos lançados no Brasil têm sido feitos tanto em português quanto em espanhol. “Nossa meta é oferecer tudo o que oferecemos no Brasil para nossos clientes na América Latina.”

Geral

Para Fernando Passos, vice-presidente financeiro e de relações com investidores do IRB-Brasil, o mercado de seguros e resseguros tem potencial para crescer acima do PIB nos próximo quatro anos. Segundo ele, o mercado de resseguros tende a avançar 2,1 vezes o crescimento nominal de PIB. “Mas existem alguns fatores que mostram potencial de trazer salto expressivo para o faturamento e volume de prêmio para além da taxa de crescimento da atividade.”

De acordo com Passos, “o primeiro ponto é a provável retomada dos projetos de infraestrutura que estão parados”. O vice-presidente do IRB cita a sinalização do novo governo em retomar os projetos. “Em 2018, riscos de engenharia passaram a ter uma participação muito pequena nos negócios do IRB, mas a retomada de obras paradas traz um potencial de crescimento para esse mercado para além do PIB.”

O executivo ressaltou ainda os leilões de blocos para exploração de petróleo da ANP como um catalisador para os negócios no setor de óleo e gás. Conforme Passos, apenas os leiloes de excedente na cessão onerosa, se for aprovado, “já se fala em R$ 100 bilhões de outorga, o que já seria suficiente para provocar um salto no número de seguros para garantir licitações”.

Passos também lembrou que após os leilões haverá também um crescimento natural de demanda de seguro dentro da cadeia. “O investimento após a licitação trará naturalmente um volume muito expressivo para seguro e resseguro para risco de engenharia dessas construções.”

Ele citou ainda o programa de possíveis privatizações que pode ser levado a cabo pelo novo governo. “Se for concretizado, para resseguradores é bastante animador, porque boa parte das empresas públicas ou não compram ou compram seguros em em volume inferior aos pares privados”, afirmou.

O executivo apontou também oportunidades de crescimento acima do PIB na área de vida para alta renda, porque, segundo ele, “muitas famílias têm optado por uma estrutura de seguro de vida devido às decisões de tribunais de incluir planos VGBL na partilha em processo de transmissão de bens”.

O vice-presidente do IRB falou sobre a possibilidade de a próxima administração incluir a iniciativa privada no ProAgro. “Se de fato se concretizar, o IRB tem muito a contribuir como ressegurador desse programa”, disse. “Nós já estudamos historicamente a carteira do ProAgro e temos domínio do tema e condições de precificar”, acrescentou.

Segundo o diretor de subscrição de property e casualty, José Lacerda, o IRB-Brasil RE tem grande capacidade financeira, o que é um diferencial importante para ganhar participação maior nos negócios de resseguro. “Temos capacidade de assumir linhas maiores nos negócios.”

O executivo também ressaltou o fato de a empresa ter um banco de dados de quase 80 anos. “Nenhum outro ressegurador tem esse histórico de informações”, disse. “Tanto que os próprios concorrentes muitas vezes, quando estão analisando um negócio e sabem que o IRB não está naquele negócio, ficam com um pé atrás.”

Fonte: Valor Econômico