Desde novembro do ano passado, o Ministério da Saúde vem discutindo a proposta de criação de um plano de saúde popular. A notícia, no primeiro momento, surpreendeu até a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que em nota alegou: “Não estamos sabendo de nada”.

A confusão não parou por aí, ao divulgar os detalhes do projeto, o Ministério da Saúde afirmou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) era uma das entidades que participou do grupo de trabalho que elaborou as propostas para o novo plano. O CFM, porém, negou sua participação em qualquer reunião sobre o tema: “Vários convites foram encaminhados, mas todos foram recusados, pois o CFM não acredita na pertinência e na eficácia dessa proposta. Para o CFM, tais planos, limitados a consultas ambulatoriais e exames de menor complexidade, não evitarão a procura pela rede pública”. Atualmente, a proposta do plano de saúde popular está sendo analisada pela ANS.

A verdade é que o tão falado plano de saúde popular pode ser um “tiro no pé” para o usuário, que continuará precisando do Sistema Único de Saúde (SUS) para “completar” seu atendimento. Além disso, um plano de saúde que não oferece cobertura para urgência e emergência poderá causar grande confusão e atrasos significativos nos atendimentos emergenciais. Se o paciente chegar, em estado grave, a um hospital credenciado, como ficará a situação? Manda-se o paciente para o SUS? Quem o leva até lá? Pergunta Angelo Epifanio, empresário e consultor na área da saúde.

Não adianta afirmar que estará em contrato a não cobertura de situações de emergência, afinal, quem poderá determinar se uma situação é emergência ou não? O paciente? Até onde sei, cabe ao médico avaliar as condições de saúde e indicar o melhor tratamento para o paciente em qualquer situação. A falta ou a demora em receber o tratamento adequado, pode transformar o plano de saúde popular em um remédio que mata: completa Angelo.

Se você está pensando que o CFM é o único órgão que está contra essa proposta, lamento dizer que a lista é grande e com tanta oposição ao projeto, que só quer ajudar o povo a ter acesso à saúde, a pergunta a fazer é: “a quem interessará o plano de saúde popular?”

Aos médicos e aos demais profissionais da área da saúde é que não: diz Angelo Epifanio. A mais de 20 anos que assisto a luta dos profissionais da saúde com os planos e, entre as questões mais debatidas, está o baixo preço pago pelas consultas, as limitações de atendimento e a demora no repasse ao prestador. Tudo me leva a crer que os profissionais que aceitarem atender aos tais planos populares poderão receber ainda menos por esses atendimentos.

Há alguns anos atrás assisti um movimento dos médicos que propunha retirar as consultas médicas da cobertura dos planos de saúde. A princípio isso me pareceu um tanto assustador, pois imaginei os pacientes ficando com poucas opções acessíveis. Em seguida, iniciei à construção de uma plataforma online que conecta médicos e pacientes. A RedeCare permite que usuários cadastrados possam buscar profissionais de todas as especialidades e escolher aqueles que cabem no seu bolso. Os profissionais definem o valor do atendimento na plataforma e são listados de acordo com as preferências dos usuários. Não se trata de plano de saúde, o que está bem claro no site www.redecare.com.br, a proposta é ajudar profissionais e pacientes a se conectarem de forma rápida e simples, utilizando os recursos da Internet, tanto pela plataforma como pelo app. Após localizar o prestador do serviço, o usuário agenda sua consulta e paga diretamente ao profissional, no dia do atendimento. Não há mensalidades para utilização da plataforma.

Questionado sobre a RedeCare ser uma possível solução para reduzir as longas esperas nas filas do SUS, Angelo responde: “Ainda temos muito trabalho pela frente e precisamos despertar os profissionais da saúde para essa nova realidade do mercado brasileiro. Nosso objetivo imediato, é levar mais saúde e qualidade de vida para todos quanto pudermos”.

Fonte: Terra